Tutu (live)
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Rio de Nuvens
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Onicofagia
Este palavrão serve para designar o singular hábito de… não imaginam? Roer as unhas!Segundo os especialistas, quem tem o vício de roer as unhas (por vezes até sangrarem - o que alguns consideram uma forma de masoquismo) – os onicófagos – fá-lo por diversos motivos que vão desde uma cólera reprimida e inconsciente contra si próprio, insegurança pessoal, nervosismo e ansiedade, etc.
Dizem que é um acto compulsivo que tem as suas raízes num qualquer distúrbio afectivo ou psíquico, casual ou permanente, mas também há quem se queixe que, mesmo não estando afectado por qualquer desses sintomas, nomeadamente ansiedade, continue a roer as unhas… é sempre, contudo, um reflexo condicionado que são incapazes de controlar.
Infelizmente, apesar de ser inestético e indício de um problema de saúde psíquica, um comportamento bastante comum em crianças e adultos, de ambos os sexos, difícil de tratar (só a força de vontade é insuficiente) e que a mim, pessoalmente, me repugna, chegando mesmo a causar náuseas só de observar alguém a fazê-lo.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
O homem ideal
ContinuaçãoApesar de sentir uma inebriante felicidade, transpirara alegria por todos os poros e o seu olhar denunciar uma imensa satisfação interior, Maria tentou analisar o que acontecera no dia anterior o mais objectivamente possível, de modo cauteloso e ponderado, contrariando o seu espírito que, amiúde, vagava pelas recordações daquela noite memorável…
- Nem que tenha sido a primeira e a última, valeu a pena! (dizia para com os seus botões, sorrindo).
E sentia, de novo, o sabor dos seus beijos, o calor da sua pele, o aconchego dos seus braços. Imagens tão intensas que pareciam reais. Memórias tão insistentes que até já começavam a incomodá-la por lhe começar a parecer impossível deixar de pensar nele e no prazer partilhado.
Invadia-a uma sensação de bem-estar mas, também, uma grande insegurança motivada pelo medo de não conseguir controlar os sentimentos. E isso assustava-a.
Talvez tudo não tivesse passado de um grande equívoco, fruto ocasional do destino que os juntara no momento certo. Pensava.
- Qual destino, qual treta, ele até chegou a confessar que, ainda de férias lhe ocorrera dar uma "queca" comigo. Terá pensado: «Coitada da Maria, qualquer dia perde-lhe o gosto. Quando chegar a Almada logo se vê – das duas uma, ou ela corre comigo ou, quem sabe? Vou experimentar avançar e "seja o que deus quiser"».
Maria continuava o diálogo consigo mesma. - Mas, se estamos ambos disponíveis, é um desperdício não aproveitar "a coisa"…
Aliás, agora que pensava nisso, logo desde que o conhecera, Maria notara-lhe no olhar aquela malícia que esconde uma certa atracção, embora de início quase nem se falassem. Ingénua fora ela que nunca se apercebera de nada!
Como pertenciam ao mesmo círculo de amigos, os laços de amizade foram-se estreitando e, olhando-o dessa perspectiva, deixou de pensar que seria possível algo mais. Até porque ele andava, então, envolvido com outra rapariga do grupo.
Regressando ao presente, tivesse ele sido induzido ou não, com mais ou menos empurrãozinho intencional, o certo é que haviam acabado por se surpreender com o resultado do encontro – nenhum dos dois esperava combinar tão bem a nível sexual e muito menos que o entendimento físico fosse de tal modo gratificante que transcendesse o mero acto carnal da união entre dois corpos.
No entanto, na antevéspera, Maria nem sequer imaginava que fosse possível acontecer algo semelhante. Divorciada há cerca de três anos, e depois do luto da anterior relação (que durara quase duas décadas), estava usufruindo de uma liberdade emocional que a deixava sem vontade de se envolver com outra pessoa.
A sua figura, todavia, nunca lhe fora indiferente e sempre o achara muito atraente. O seu "tipo de homem": de tez morena, olhos castanhos, um sorriso maroto e uma voz muito sensual, numa combinação perfeita com uma personalidade forte, invulgarmente cordial, com um sentido de humor mordaz, muito franco e directo, conjugado com um carácter rebelde e determinado, inteligente e sensível, realista mas, também, um idealista convicto, muitíssimo teimoso mas um óptimo companheiro, divertido e simpático, com quem se podia passar horas muito agradáveis fosse a discutir política ou a contar anedotas. Realizado profissionalmente e com uma vasta cultura geral, que sabia apreciar música e gostava de poesia. Apenas com um senão: um irritante toque de snobismo que, às vezes, o fazia ser extremamente desagradável. Apesar disso, enfim... um homem muito, muito interessante mesmo.
Continua...
domingo, 26 de agosto de 2007
sábado, 25 de agosto de 2007
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Dependências
Não costumo ler esta revista (considero a sua linha editorial demasiado "à direita" para o meu gosto). Mas ontem, à falta de outras opções para me entreter enquanto esperava a minha vez no cabeleireiro comprei-a no quiosque em frente ao salão, porque a manchete da capa me chamou a atenção.Trago-a aqui, não para conversar sobre o conteúdo da reportagem (cujo título é bem elucidativo) – um tema que mereceria uma reflexão séria e profunda, eu sei (mas que não é o objectivo deste espaço) – mas para vos falar do meu medo das dependências, sejam elas droga, vinho, doces, jogo, café, afectos, comida, medicamentos, etc. etc.
Os comportamentos aditivos assustam-me. Perder o controlo sobre os meus actos é algo que me apavora. Só de pensar que posso vir a ter de viver em função de uma qualquer dependência deixa-me completamente angustiada.
A coisa é de tal ordem que sempre que noto em mim um vislumbre de actos compulsivos, prenúncio de uma eventual tendência para ficar subjugada a um qualquer prazer, perco o interesse pelo objecto da minha sedução e, durante uns tempos, foco o interesse da minha atenção noutra coisa que me dê satisfação equivalente.
Por exemplo:
Desde criança que gosto imenso de ler. Os livros são o meu natural refúgio contra as crises de identidade, os desgostos amorosos ou os males da vida em geral.
Neles me encontro e fortaleço. Com eles sinto-me sempre acompanhada. Por isso, leio enquanto tomo o pequeno-almoço em casa ou no café, nos transportes públicos entre casa/trabalho e vice-versa, esteja sentada num jardim, na praia ou numa esplanada a descansar, até na fila à espera de ser atendida no supermercado, nas Finanças e por aí adiante…
Geralmente, fico doente se vou fazer uma viagem e não levo um livro (é ponto assente que tenho de passar na livraria mais próxima e comprar um), aborreço-me sobremaneira se saio de casa e me esqueci (ao trocar de mala) daquele que estou a ler no momento. Sinto um vazio inexplicável, uma dor no peito…
Todavia, de vez em quando resolvo ficar uma temporada sem ler. Recuso-me, ostensivamente, a sair acompanhada de um livro. Nem em jornais pego. É como se ganhasse uma aversão às letras de outros. E viro-me, então, para a música ou para a escrita (prosa ou poesia), duas outras coisas que me dão, igualmente, muito prazer. Mas, principalmente, gosto de ficar a "sonhar de olhos abertos"…
Louca? Talvez! Pouco me importa. Sou feliz assim.
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