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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Amor oculto



Amantes que somos e que nos sentimos

de amor oculto, mas a peito aberto,

esperamos dor naquilo que assumimos,

- o sonho recusado e tão incerto.



E se apesar de tudo conseguimos

viver amor e ter o longe perto,

aqui nos confessamos e pedimos

amor oculto, mas a peito aberto.



Poema: Amadeu Teles Marques, in A dimensão medida.

Imagem: tirada DAQUI.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Rio de Nuvens

(...)

Eu venho do sonho e fujo da vida.
Errei no caminho para a paz prometida.

Só sei que me chama um canto do mar.
E a nau dos sonhos no céu a varar.

Ó meu capitão da barca perdida.
A errar entre o sonho e o engano da vida!

(...)


Poema: Natália Correia, in Obra Poética.
Imagem: tirada DAQUI.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Soneto de mal-amar

Invento-te recordo-te distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.

A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto.

E as coisas que eu não disse? Que não digo:
Meu terraço de ausência meu castigo
meu pântano de rosas afagadas.

Por ti me reconheço e contradigo
chão das palavras joio e trigo
apenas por ternura levedadas.


Poema: José Carlos Ary dos Santos
Imagem: Rudolfo Barral

domingo, 19 de agosto de 2007

Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

Poema: Maria Teresa Horta
Imagem: tirada
DAQUI.